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Pequenos defeitos, grandes prejuízos: como um problema simples (e barato) de resolver pode acabar arruinando o seu orçamento

Imagem: Depositphotos
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Carros requerem manutenção. Não dá para fugir disso. Outra realidade inescapável: prevenir é melhor do que remediar. Quando se pensa no cuidado com os automóveis, o jeito mais barato de tocar a vida é fazer uma manutenção preventiva e ficar de olho nos itens críticos antes que eles comecem a apresentar defeitos.

Quer um exemplo? Andar com pneu descalibrado gera um efeito imediato no bolso: se faltar pressão de ar, o consumo aumenta. No médio prazo, o desgaste da borracha também é maior. Ou seja, deixar de calibrar os quatro pneus, uma providência que não tem custo financeiro (postos de combustível dificilmente cobram pelo serviço) vai encurtar a vida útil de um componente caro de substituir.

Nesse exemplo, claro, estamos nos limitando à questão financeira da peça, sem contar o risco de acidentes.

Aqui vai outro exemplo bobo de como a falta de cuidado pode gerar um problemão. As palhetas do limpador de para-brisa é um item de desgaste. Por ficar exposta ao sol, calor e sujeira, as finas borrachas ressecam facilmente. Elas perdem a eficiência quando estão secas e isso compromete a visibilidade – condição que aumenta o risco de acidente (e prejuízos com consertos).

Mas vamos supor que nada de ruim aconteça: nesse caso, com o passar do tempo as palhetas extraviadas começam a riscar a superfície do vidro, comprometendo a integridade do para-brisa. Em outras palavras, ignorar a troca de um componente barato resulta em dano em uma peça cara, com mão de obra também custosa.

Nós listamos aqui outros itens que merecem a atenção, e que são baratos de resolver, mas com potencial de gerar problemas que você não terá como ignorar.

Filtros
Todo carro a combustão tem vários filtros: do motor (falaremos dele adiante), de ar e de combustível – alguns também têm outro elemento filtrante específico para a cabine. O filtro de ar não pode ser ignorado, sobretudo em locais muito poluídos ou com excesso de pó.

Veículos que circulam com frequência em estradas de terra precisam também precisam antecipar a troca do componente, que deve ser inspecionado visualmente todos os meses, ou quando o carro passar por uma situação crítica.

O manual do veículo traz as trocas sugeridas. No entanto, a manutenção precisa levar em conta a utilização. Se o usuário desconfiar da qualidade do combustível utilizado por período extenso, é recomendável substituir o filtro antes do tempo previsto.

Correia dentada
Você não precisa entender de mecânica, nem saber verificar a correia. O ideal é ter algum profissional de confiança que possa dar conta de fazer essa verificação.

Se tem um item que merece entrar na sua lista de prioridades, é a correia dentada: ela faz a conexão do comando de válvulas com o virabrequim, sincronizando a abertura e fechamento das válvulas - as de admissão e de exaustão.

E se a correia romper? A movimentação das válvulas fica desordenada e, dependendo da rotação do motor nesse instante, pode haver choque com os pistões.

O conserto requer a retífica do cabeçote do motor, substituição das válvulas e guias danificadas, bem como o conserto das sedes, para refazer o assentamento correto das válvulas.

No manual há uma indicação dos prazos de troca. Alguns profissionais recomendam a substituição a cada 50 mil km, mas esse prazo pode ser menor para veículos que ficam muito tempo em trânsito pesado.

Há motores que não têm correia. Em vez disso utilizam uma corrente interna para cumprir essa função, como os Ford Rocam e BMWs.

Gasolina
O litro da gasolina já está encostando em R$ 5 em São Paulo. No Rio, já tem posto cobrando R$ 6 na gasolina aditivada. Isso é caro, claro, mas não justifica deixar o carro rodando com o tanque na reserva.

"Parar na rua por falta de combustível, além de render multa, pode queimar a bomba de combustível, que não deve rodar seca", diz José Aurélio, da JF Auto Center.

Quando a bomba quebra, o motor deixa de receber o combustível e para na hora. A troca das bombas mais simples custam, por baixo, R$ 500.

Lâmpadas
Quem é que troca lâmpadas antes de elas queimarem? Tem gente que não troca nem quando queimam... E até isso custa caro, pois rende multa – trata-se de infração média, com quatro pontos na CNH.

No caso dos piscas, o item queimado provoca o aumento na frequência das demais. Faróis: troque ambas as peças, não apenas a que está queimada, para preservar o mesmo nível de luminosidade e cor.

Fluido e pastilhas de freios
Vamos cortar a parte óbvia sobre o que pode acontecer por rodar com freios ruins, ok? Pastilhas gastas demais podem comprometer a vida útil dos discos – bem mais caros de trocar.

O desgaste excessivo reduz a potência de frenagem e também requer maior esforço de toda a linha de fluido. Aliás, o fluido também requer atenção anual. É necessário fazer a troca todos os anos porque o fluido de freio tem propriedades higroscópicas.

Em outras palavras, tem a propriedade de absorver umidade do ambiente. Esse acúmulo de água prejudica sua eficiência.

Pneus ruins
O ideal é trocar o jogo inteiro (as quatro peças). Mas, se você só tem condições de trocar um par, coloque os pneus novos no eixo traseiro – sempre. Há uma discussão acerca desse tópico, com defensores de instalar o zero km na frente. Não faça isso.

Pneus gastos apenas na traseira aumentam a tendência de sobresterço, a famosa “saída de traseira”. Esse comportamento é mais difícil de controlar em situações de emergência.

Sempre, sempre faça a opção por pneus de boa qualidade. Jamais faça a compra optando por marcas desconhecidas, sem homologação, ou de medidas não recomendadas pelo fabricante, por causa de preço menor. O ideal é optar pelo melhor pneu possível.

Toda a carroceria
Carros são feitos de metal. Claro, há vários outros materiais importantes, como vidros, plásticos e fibras. O foco de preocupação aqui está na lataria. A pintura oferece proteção contra a ferrugem, mas o processo de corrosão é implacável.

Por isso, é importante fazer lavagens periódicas com água limpa e xampu automotivo, bem como a aplicação de ceras. Carros que são deixados ao tempo, que "vivem" em regiões próximas ao mar ou excessivamente úmidas precisam de cuidado extra.

No caso de cidades litorâneas, a maresia é uma inimiga que não descansa. A névoa salina do litoral emperra partes móveis, corrói o metal e compromete o funcionamento de componentes eletrônicos.

Esse spray fica impregnado nas superfícies e precisa ser removido com frequência com produtos adequados. Partes mecânicas externas, como rotores, terminais de direção e metais expostos podem ser limpos e tratados com soluções anticorrosivas e lubrificantes, como o WD-40.

Óleo
O lubrificante é fundamental para o funcionamento do motor. Mas nem por isso ele é trocado dentro dos prazos recomendados. É difícil achar até mesmo quem verifique o seu nível na freqüência recomendada. E se o óleo estiver velho (mais de um ano no motor) ou muito abaixo do nível máximo da vareta, perde suas funções.

Ou seja, não irá lubrificar, limpar, proteger e ajudar na refrigeração do propulsor. Em outras palavras, o funcionamento e o tempo de vida útil da máquina ficam comprometidos.

O pior que pode acontecer é o motor fundir e, nesse caso, os gastos passam facilmente de R$ 8 mil, caso de um motor mais simples. Para não correr o risco de tomar esse prejuízo, o melhor é sempre verificar o nível do óleo e fazer a substituição dentro do prazo determinado pela montadora.

Embora não seja recomendado, completar o óleo (desde que seja da mesma origem do utilizado, mineral ou sintético) é melhor do que rodar com pouco lubrificante.

Não economize com o filtro de óleo. Faça a troca todas as vezes que estiver no prazo de troca de óleo. Na pior das hipóteses, faça a troca intercalada com a do lubrificante.

Pega muito trânsito ou usa o carro com frequência em trechos curtos, com o motor ainda frio? Antecipe a troca do óleo, pois essa é considerada uma condição de uso extremo.

Água do motor
Verifique o nível de água todos os meses. Sem água e fluido, a junta do cabeçote queima e, se continuar a rodar, o motor funde. Para que o carro volte a rodar, o proprietário gasta por volta de R$ 6 mil. Assim como no caso do óleo, não apenas complete o líquido todas as vezes.

Água pura no motor equivale a declarar sua morte antecipada. É necessário utilizar aditivos na proporção correta. O sistema de arrefecimento precisa de etilenoglicol, uma substância que privilegia as trocas térmicas de calor entre o motor e o radiador. Os aditivos também têm função anticorrosiva.

Consulte o manual do carro para seguir o programa de manutenção à risca. A troca pode ser feita em menos de duas horas e custa a partir de R$ 300. Deixar de fazer esse serviço pode provocar o superaquecimento do motor, comprometendo uma quantidade expressiva de componentes.

Fonte: Revista AutoEsporte